← Blog
TeleSíntese26/10/2026por Rafael Bucco

Absolar vê data centers como solução para curtailment

Absolar vê data centers como solução para curtailment
Absolar vê data centers como solução para curtailment

Entidade cobra do presidente reeleito Lula a regulamentação do Redata e investimentos nas redes elétricas para viabilizar novos projetos no Brasil

solar Crédito-freepik

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) defendeu a atração de data centers como parte da solução para aproveitar a energia renovável cuja geração é cortada (curtailment) no Brasil. Em posicionamento divulgado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a entidade cobra do presidente reeleito a regulamentação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), planejamento energético e investimentos nas redes de transmissão e distribuição.

Segundo a associação, 17,2% do potencial de geração solar e eólica do País foi cortado no primeiro trimestre de 2026. A ABSOLAR relaciona esses cortes à falta de demanda e de capacidade de armazenamento da eletricidade disponível.

Na avaliação da entidade, a instalação de data centers pode trazer novas cargas capazes de consumir parte dessa energia. A manifestação ocorre após Lula mencionar as fontes renováveis como um dos fatores para atrair investimentos em infraestrutura digital no discurso da vitória.

“O Brasil reúne condições privilegiadas para transformar sua matriz renovável em vantagem competitiva, inclusive na atração de data centers, indústrias eletrointensivas, fábricas de hidrogênio verde e eletromobilidade”, afirma Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR.

Redata e infraestrutura elétrica

A associação aponta a regulamentação do Redata como uma das medidas necessárias para avançar nessa agenda. O regime prevê contrapartidas relacionadas ao uso de energia renovável ou de baixa emissão e depende de regulamentação do Poder Executivo para produzir efeitos.

A entidade também ressalta que a atração de empreendimentos precisa ser acompanhada de planejamento energético e de expansão das redes elétricas. Segundo a ABSOLAR, a infraestrutura de transmissão e distribuição está entre os gargalos relatados por grandes consumidores que avaliam investimentos no Brasil.

Data centers integram uma das três propostas apresentadas pela associação ao governo federal, aos governadores e ao Congresso Nacional para o período de 2027 a 2030. Batizada de “Energia que Emprega”, a iniciativa reúne ainda indústria eletrointensiva de baixo carbono, hidrogênio verde, eletrificação, eletromobilidade e planejamento da transmissão. A entidade associa esse conjunto de medidas à viabilização de 18 gigawatts (GW) em novas usinas solares.

Leilões de baterias

No curto prazo, a ABSOLAR considera os dois primeiros leilões de reserva de capacidade para contratação de sistemas de baterias, previstos no comunicado para 2 e 4 de dezembro de 2026, o primeiro teste da agenda energética após as eleições.

A associação pede definição das condições de custeio dos certames e defende contratações anuais de armazenamento. Na avaliação da entidade, as baterias podem dar flexibilidade ao sistema elétrico, mitigar os cortes de geração renovável e reduzir a necessidade de acionamento de termelétricas.

A presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, Bárbara Rubim, também cobra previsibilidade regulatória e ressarcimento aos empreendimentos que tiveram a geração cortada.

Entre as reivindicações estão incentivos para projetos de armazenamento, um marco legal próprio para a atividade e redução da carga tributária sobre baterias, que, segundo a associação, chega a 84,8%.

Tags# Absolar
PolíticaAbsolar

Outras matérias