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TELETIME News03/10/2026por Eduardo Vasconcelos

Coalizão Direitos na Rede questiona recursos do Fust para TV 3.0

Coalizão Direitos na Rede questiona recursos do Fust para TV 3.0
Financiamento Coalizão Direitos na Rede questiona recursos do Fust para TV 3.0 02/10/26, 17:34   Atualizado em 02/10/26, 20:46
(crédito: Freepik)

A Coalizão Direitos na Rede (CDR), entidade que reúne organizações da sociedade civil em temas de direitos digitais, defende que a proposta orçamentária do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) seja revista antes de ser incorporada ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027.

Para a entidade, a proposta aprovada pelo Comitê Gestor do Fust desvirtua a finalidade do fundo ao destinar cerca de dois terços dos recursos previstos para a implantação da TV 3.0 no País.

A CDR defende que o fundo seja utilizado na expansão de serviços de telecomunicações, como levar banda larga a localidades desconectadas.

Aprovada em julho, a proposta orçamentária do Fust para 2027 prevê uma soma de R$ 3,87 bilhões em recursos – desse total, a maior parte (R$ 3,1 bilhões) seria vinculada a dois empréstimos contraídos pelo governo para complementar o caixa do fundo.

A CDR ressalta que R$ 2,57 bilhões (66,4% do orçamento previsto) estão destinados ao programa Brasil Mais TV 3.0, que visa a financiar a troca de equipamentos das emissoras de TV aberta do País (substituir o padrão nipo-brasileiro ISDB-T pelo norte-americano ATSC).

Em comunicado, a CDR reforça que, além do financiamento da TV 3.0 não ser o objetivo do fundo, a aprovação da proposta orçamentária teria sido feita às pressas, sem definir quem vai operar as linhas de crédito e sem critérios claros sobre quais serão as empresas beneficiadas.

A coalizão ainda ressalta, com base em dados do Cetic.br, que menos de 3% das famílias das classes D e E têm acesso a serviços de conectividade que permitem fazer pleno uso da Internet. Além disso, aponta que 47% da população brasileira não têm computador em casa, principalmente por causa do custo.

"É exatamente esse público que o Fust deveria priorizar. Mas, na proposta aprovada, os recursos destinados a atender diretamente regiões sem interesse comercial somam apenas R$ 377 milhões, menos de 10% do orçamento total", pontua a CDR.

"Enquanto isso, as novas tecnologias da TV 3.0, como imagem em 8K e recursos interativos, exigem aparelhos modernos e boa conexão à Internet para funcionar. Ou seja: dependem de uma infraestrutura que grande parte do público mais vulnerável ainda não tem", complementa a entidade.

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