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TeleSíntese18/10/2026por Paula Coutinho

Brasil tem 180 mil km de rodovias pavimentadas sem cobertura móvel

Brasil tem 180 mil km de rodovias pavimentadas sem cobertura móvel
Brasil tem 180 mil km de rodovias pavimentadas sem cobertura móvel

Levantamento apresentado no Wireless Mundi mostra lacunas de sinal nas estradas e coloca soluções satelitais no debate sobre expansão da conectividade

O Brasil possui aproximadamente 180 mil quilômetros de rodovias federais e estaduais pavimentadas sem cobertura de telefonia móvel. O número foi apresentado nesta quinta-feira, 15, por José Felipe Ruppenthal, diretor da Telco Advisors, durante o 22º Wireless Mundi, evento promovido pelo Tele.Síntese em São Paulo.

Segundo o levantamento apresentado pelo executivo, o país possui cerca de 446 mil quilômetros de rodovias federais e estaduais pavimentadas. Desse total, aproximadamente 260 mil quilômetros contam com algum nível de cobertura móvel, enquanto outros 180 mil quilômetros permanecem sem sinal.

“Hoje o Brasil conta aí com 180 mil quilômetros de rodovias federais e estaduais pavimentadas sem qualquer cobertura de rede móvel”, afirmou Ruppenthal.

O estudo foi apresentado na abertura do evento, antes do painel “Dados do espaço: o novo mercado satelital”, que reuniu representantes do setor para discutir a integração entre redes terrestres e satélites, incluindo a tecnologia Direct-to-Device (D2D).

Rodovias federais têm quase 49 mil quilômetros sem sinal

De acordo com os dados apresentados por Ruppenthal, as rodovias federais pavimentadas somam aproximadamente 122 mil quilômetros. Cerca de 40% dessa extensão, o equivalente a quase 49 mil quilômetros, não possui cobertura de rede móvel.

Nas rodovias estaduais, o levantamento aponta aproximadamente 136 mil quilômetros sem sinal.

O executivo ressaltou que a existência de cobertura não significa necessariamente disponibilidade de um serviço com qualidade adequada.

A metodologia utilizada considera a presença de sinal dentro dos parâmetros empregados para classificar determinada área como coberta, mas não mede, por si só, a experiência efetiva do usuário.

A apresentação também trouxe dados sobre a presença do 5G nas estradas. Segundo Ruppenthal, a tecnologia alcança aproximadamente 13% das rodovias federais e 10% das estaduais pavimentadas.

Os indicadores foram apresentados a partir da plataforma de inteligência de infraestrutura utilizada pela Telco Advisors. A exposição não detalhou a distribuição dos trechos sem cobertura por estado nem apresentou estimativas financeiras para sua conexão.

Cobertura territorial continua concentrada nas cidades

O levantamento mostrou que apenas 20,5% do território brasileiro possui cobertura de alguma tecnologia de rede móvel.

Nas áreas urbanas, o percentual informado foi de 98%, enquanto nas áreas rurais ficou em 19%.

A diferença também aparece quando o recorte considera os domicílios. Segundo a apresentação, aproximadamente 94% dos domicílios brasileiros estão em áreas com alguma cobertura móvel. Nas áreas urbanas, o indicador alcança 99,7%, enquanto nas rurais fica próximo de 61%.

Ruppenthal explicou que os números consideram a sobreposição das diferentes gerações de tecnologia, não apenas o 5G.

Quando o levantamento considera exclusivamente a quinta geração de redes móveis, a cobertura corresponde a aproximadamente 1,6% do território nacional, chegando a cerca de 1% nas áreas rurais.

Os dados evidenciam a diferença entre a disponibilidade de serviço nas regiões de maior concentração populacional e a cobertura geográfica necessária para atividades econômicas distribuídas pelo território.

D2D pode complementar a expansão terrestre

O Direct-to-Device permite a comunicação entre satélites e dispositivos compatíveis sem depender, em determinadas condições, da cobertura de uma estação rádio-base terrestre.

Durante o debate, os participantes destacaram que essa tecnologia ainda passa por evolução técnica e comercial, especialmente para aplicações de voz e transmissão de dados.

O diagnóstico apresentado por Ruppenthal, entretanto, estabelece a dimensão do problema de infraestrutura discutido no evento: mesmo nas rodovias pavimentadas, parcela da malha viária permanece sem qualquer sinal de rede móvel.

A apresentação também reforçou a necessidade de distinguir a ampliação geográfica do sinal da qualidade efetivamente oferecida aos usuários.

A discussão, porém, não resultou em anúncio de cobertura D2D para as rodovias brasileiras nem em definição de investimentos para os trechos identificados no levantamento.

 

Tags# cobertura móvel# rodovias pavimentadas
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