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TeleSíntese18/10/2026por Paula Coutinho

Anatel diz que revisão do spectrum cap busca controlar concentração

Anatel diz que revisão do spectrum cap busca controlar concentração
Anatel diz que revisão do spectrum cap busca controlar concentração

Assessor afirma que proposta ainda está aberta e que objetivo não é simplesmente reduzir frequências das grandes operadoras

A revisão dos limites máximos de espectro que podem ser detidos pelas operadoras móveis não deve ser interpretada apenas como uma iniciativa para reduzir a quantidade de frequências das grandes prestadoras. Segundo Leonardo Tostes, assessor do Conselho Diretor da Anatel, o objetivo da proposta é aperfeiçoar o controle da concentração de espectro e preservar condições de entrada para novos competidores.

Foto: Anatel/Divulgação

A declaração foi feita nesta quinta-feira, 15, durante o Painel 2 do 22º Wireless Mundi, promovido pelo Tele.Síntese em São Paulo.

Tostes afirmou que o chamado spectrum cap continua sendo um instrumento relevante da política regulatória, embora apresente limitações que precisam ser consideradas.

O assessor ressaltou que a proposta submetida à consulta pública ainda poderá sofrer alterações.

Segundo ele, a Anatel busca equilibrar a prevenção de concentração excessiva de frequências com a necessidade de disponibilizar espectro para redes alternativas e prestadoras regionais.

Controle de concentração é prioridade

Tostes explicou que o spectrum cap deve ser analisado em conjunto com outras medidas regulatórias voltadas à competição.

O assessor destacou que a detenção primária de frequências ganhou importância em um cenário no qual a Anatel tem privilegiado a concorrência entre infraestruturas próprias.

Nesse modelo, a disponibilidade de espectro é uma condição para que novas empresas possam implantar redes e competir com as prestadoras estabelecidas.

Segundo ele, o regulador precisa evitar que a concentração de frequências crie barreiras excessivas à entrada de novos agentes.

Ao mesmo tempo, as regras devem considerar a necessidade de escala e capacidade de investimento das operadoras.

Tostes afirmou que a discussão envolve a definição de um equilíbrio entre essas condições.

Proposta não está encerrada

Durante o painel, foi questionada a possibilidade de redução de determinados limites percentuais de concentração, especialmente nas faixas inferiores a 1 GHz.

O debate mencionou a hipótese de alteração de um limite de 35% para 30%, mas Tostes evitou tratar a proposta como decisão definitiva.

O assessor afirmou que a consulta pública ainda está em andamento e que o texto poderá ser modificado após a análise das contribuições.

Segundo ele, o objetivo central da revisão não é transmitir uma mensagem de redução ou ampliação automática dos limites.

A preocupação regulatória está relacionada ao controle da concentração e à manutenção de condições de competição.

Tostes também destacou que mudanças nos limites precisam ser avaliadas em conjunto com as demais regras de utilização do espectro.

A discussão não resultou em anúncio de devolução obrigatória de frequências pelas atuais detentoras.

Anatel considera efeitos sobre operadoras regionais

O assessor afirmou que a revisão deve considerar a necessidade de disponibilizar frequências para empresas com diferentes modelos de atuação.

Entre os objetivos mencionados estão a redução de barreiras de entrada e a criação de condições para o desenvolvimento de redes alternativas.

Tostes relacionou essa preocupação à política de competição entre infraestruturas, que depende da possibilidade de novas prestadoras obterem autorizações de espectro.

Segundo ele, a concentração excessiva pode limitar essas oportunidades.

O assessor também ressaltou que o instrumento regulatório precisa ser aplicado de forma proporcional, considerando suas potencialidades e limitações.

Mercado secundário não substitui política de distribuição

A discussão sobre os limites de espectro também abordou as possibilidades de utilização secundária das frequências.

Tostes explicou que o Brasil já possui mecanismos de uso secundário, mas destacou que esses instrumentos não oferecem necessariamente as mesmas condições de segurança jurídica da detenção primária.

O assessor afirmou que a Anatel já discutiu alternativas para ampliar a estabilidade dos direitos de uso secundário.

Entretanto, a orientação regulatória recente tem privilegiado a competição por redes próprias.

Segundo ele, isso não impede que modelos de uso secundário continuem relevantes em segmentos específicos, como M2M e IoT.

A discussão também foi relacionada à revisão do Regulamento de Uso do Espectro, que trata das condições de utilização das radiofrequências.

Consulta pública definirá próximos passos

Tostes afirmou que a prorrogação da consulta pública busca permitir o recebimento de mais contribuições sobre a proposta.

Segundo ele, o debate ainda precisa considerar os efeitos das alterações sobre os investimentos, a concorrência e a disponibilidade de frequências.

O assessor destacou que a revisão dos limites não pode ser analisada isoladamente das demais decisões da agência.

A política de espectro envolve a estrutura dos leilões, a distribuição geográfica dos blocos, os direitos de uso e os mecanismos de compartilhamento.

A Anatel não anunciou, durante o painel, novos percentuais definitivos nem medidas imediatas de redistribuição das frequências.

A posição apresentada por Tostes foi a de manter a discussão aberta, com foco no controle da concentração e na preservação de oportunidades para a competição entre redes.

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