Anatel admite mudanças no calendário do leilão de 6 GHz

Paula Coutinho- 15 de outubro de 2026 | 15:36
Previsão de certame em 2028 não significa implantação imediata das redes, afirma assessor do Conselho Diretor da agência
O calendário do futuro leilão da faixa de A ainda poderá sofrer alterações durante a tramitação regulatória, e a previsão de realização do certame em 2028 não significa que as redes começarão a operar naquele ano. O esclarecimento foi feito por Leonardo Tostes, assessor do Conselho Diretor da Anatel, durante o 22º Wireless Mundi, realizado pelo Tele.Síntese nesta quinta-feira, 15, em São Paulo.

Segundo Tostes, a proposta submetida à consulta pública representa uma etapa inicial da definição das condições de licitação.
O assessor afirmou que a agência pretende antecipar discussões sobre o desenho dos blocos e as obrigações associadas às autorizações para oferecer maior previsibilidade aos investidores.
A definição antecipada desses parâmetros, entretanto, não significa exigir desembolsos ou implantação imediata de infraestrutura.
Previsão de 2028 não encerra discussão
Tostes explicou que o cronograma ainda será submetido às etapas do processo regulatório, incluindo a análise das contribuições recebidas na consulta pública.
Mesmo que a previsão de 2028 seja mantida, as obrigações de implantação poderão ser distribuídas ao longo dos anos seguintes.
Segundo o assessor, o escalonamento deverá considerar a capacidade de investimento das operadoras e dos demais participantes da cadeia de telecomunicações.
Ele ressaltou que o regulador precisa equilibrar o desenvolvimento tecnológico com as condições econômicas de implantação das redes.
O representante da Anatel citou o leilão de 5G como exemplo de processo no qual as obrigações foram estruturadas para distribuir investimentos ao longo do tempo.
Também mencionou a conversão de multas em antecipação de compromissos de implantação do 5G como instrumento utilizado pela agência.
Definição dos blocos busca previsibilidade
A proposta de licitação de 6 GHz prevê a discussão sobre a dimensão dos blocos e sua distribuição geográfica.
Durante o painel, foram mencionados blocos de 200 MHz e 100 MHz, com possibilidades de distribuição nacional e regional.
Tostes afirmou que a antecipação desse debate permite que as empresas avaliem suas necessidades de espectro e planejem investimentos.
O assessor destacou que o modelo deve considerar tanto operadoras com atuação nacional quanto prestadoras regionais.
Segundo ele, a experiência do leilão de 5G demonstrou a importância de combinar blocos com diferentes abrangências geográficas para permitir a participação de empresas com capacidades de investimento distintas.
A estrutura também precisa evitar uma concentração excessiva de frequências em poucas operadoras.
Data centers entram na discussão
Outra novidade do edital preliminar é a possibilidade de estabelecer compromissos relacionados à infraestrutura de processamento de dados.
Tostes explicou que a proposta considera a necessidade de acompanhar o aumento da capacidade de transmissão com investimentos em processamento.
Segundo ele, a expansão das redes móveis poderá elevar a demanda por infraestrutura digital em localidades que não necessariamente receberiam investimentos por iniciativa do mercado.
O assessor destacou que os compromissos ainda precisam ser detalhados e avaliados durante o processo de consulta pública.
A proposta não representa uma obrigação definitiva para as futuras vencedoras do leilão.
A Anatel também não apresentou, durante o painel, uma nova data para o certame. A previsão de 2028 permanece como referência da discussão, sujeita às etapas regulatórias e às contribuições do setor.
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