América Móvil tem alta de 7% no lucro no terceiro trimestre

Rafael Bucco
- 21 de outubro de 2026 | 10:53
Dona da Claro registra avanço de 7,6% na receita; Brasil lidera adições de clientes de pós-pago e banda larga do grupo.

A América Móvil, controladora da Claro Brasil, registrou lucro líquido de 24,282 bilhões de pesos mexicanos (R$ 7,05 bilhões*) no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita total alcançou 250,634 bilhões de pesos mexicanos (R$ 72,78 bilhões), alta de 7,6%, conforme balanço divulgado em 20 de outubro.
O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou 102,156 bilhões de pesos mexicanos (R$ 29,67 bilhões), avanço de 8,9%. A margem EBITDA atingiu 40,8%, aumento de 0,5 ponto percentual na comparação anual.
Em câmbio constante, a receita de serviços cresceu 5,3%, enquanto o EBITDA avançou 6,7%. A companhia exclui a Argentina dessas comparações em razão do tratamento contábil aplicado à economia hiperinflacionária do país.
Brasil lidera expansão do pós-pago
O grupo adicionou 3,1 milhões de assinantes de pós-pago no trimestre. O Brasil foi o principal contribuinte, com 743 mil adições líquidas, seguido por Colômbia, com 348 mil, Peru, com 229 mil, e México, com 144 mil.
No pré-pago, a América Móvil registrou 5 milhões de desconexões líquidas. Segundo a empresa, o resultado refletiu principalmente ajustes nas bases de assinantes do México e da Colômbia.
Ao final de setembro, a companhia contabilizava 332,4 milhões de acessos móveis, dos quais aproximadamente 153 milhões eram de pós-pago. A base pós-paga cresceu 8,9% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
A receita de serviços móveis avançou 6,3% em câmbio constante. No pós-pago, o crescimento foi de 7,5%; no pré-pago, de 4,3%. No Brasil, a receita de pós-pago cresceu 8,5%, ante expansão de 7,1% no trimestre anterior, movimento que a companhia relaciona à continuidade da migração de clientes do pré-pago.
Banda larga soma 390 mil novos acessos
Nas operações fixas, a América Móvil adicionou 390 mil acessos de banda larga no trimestre. O Brasil também liderou esse indicador, com aproximadamente 94 mil adições líquidas, seguido pela Colômbia, com 67 mil, e pela Argentina, com 53 mil.
A base de banda larga do grupo chegou a 38,2 milhões de acessos, crescimento anual de 5,6%. Desse total, 10,9 milhões estavam no Brasil. Na TV por assinatura, o grupo registrou 50 mil adições líquidas, concentradas principalmente no Leste Europeu e na América Central.
O crescimento da receita de serviços fixos acelerou de 2,7% no segundo trimestre para 3,7% no terceiro, em câmbio constante. Segundo o balanço, a evolução foi impulsionada pelas receitas de banda larga e redes corporativas.
Entre os acontecimentos posteriores ao trimestre, a América Móvil destacou a aquisição de 72,83% da Desktop, anunciada em 1º de outubro, para ampliar a presença da Claro em fibra óptica no estado de São Paulo.
Perdas cambiais elevam despesas financeiras
O resultado operacional, medido pelo EBIT, cresceu 13,9%, para 57,113 bilhões de pesos mexicanos (R$ 16,59 bilhões). As despesas com depreciação e amortização aumentaram 3,1%.
Apesar da queda de 11,2% nas despesas líquidas com juros, o custo financeiro total subiu 75%, para 22,568 bilhões de pesos mexicanos (R$ 6,55 bilhões). A companhia registrou perdas cambiais de 3,603 bilhões de pesos mexicanos (R$ 1,05 bilhão), ante ganhos de 6,301 bilhões de pesos mexicanos (R$ 1,83 bilhão) um ano antes.
Segundo a América Móvil, essas variações decorreram principalmente de mudanças no valor, em pesos, da dívida denominada em moedas estrangeiras.
Investimentos e dívida
Nos nove primeiros meses de 2026, os investimentos totalizaram 75,915 bilhões de pesos mexicanos (R$ 22,05 bilhões). O fluxo de caixa livre somou 74,960 bilhões de pesos mexicanos (R$ 21,77 bilhões).
A dívida líquida, excluindo arrendamentos, encerrou setembro em 400,081 bilhões de pesos mexicanos (R$ 116,18 bilhões). A relação entre dívida líquida e EBITDA após arrendamentos caiu de 1,52 vez, no fim de 2025, para 1,21 vez.
No acumulado de janeiro a setembro, a receita cresceu 4,3%, para 728,549 bilhões de pesos mexicanos (R$ 211,57 bilhões), e o lucro líquido avançou 13,1%, para 72,015 bilhões de pesos mexicanos (R$ 20,91 bilhões).
*Conversões aproximadas, para referência, pela taxa de encerramento de setembro informada no balanço: 1 peso mexicano (R$ 0,2904). A mesma taxa foi aplicada a todos os valores; as variações percentuais seguem os indicadores originais da companhia.
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