Teles discordam de compromissos de data center no edital de 6 GHz

As operadoras Claro e Vivo manifestaram nesta sexta-feira, 16, discordância com a proposta da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de incluir investimentos em data centers regionais entre os compromissos de um futuro leilão do espectro de 6 GHz.
As objeções foram levantadas em audiência pública realizada em Brasília pela agência, que tem aberta até 23 de outubro uma consulta pública sobre o edital (há pedidos para que a escuta seja prorrogada). Setorialmente, as operadoras de telecom voltaram a defender que o leilão de 6 GHz não ocorra em 2028, como atualmente prevê a Anatel.
Já no que envolve os compromissos, a diretora regulatória da Claro, Monique Barros, questionou a inclusão de núcleos regionais de data center. A tele entende que apesar da infraestrutura ser complementar, as metas do leilão de 6 GHz deveriam priorizar investimentos diretamente relacionados à expansão, capacidade e qualidade da conectividade.
"Ainda existem muitas oportunidades de investimentos no mercado de telecom: ampliação da cobertura em rodovias, em áreas remotas e a própria evolução tecnológica desejada com o 6 GHz. Essa evolução deveria ser o único foco dos compromissos de editais", afirmou Barros, aos técnicos da Anatel.
Raphael Andrade de Oliveira, gerente sênior na área regulatória da Vivo, também levantou objeções, inclusive regulamentares. "Em que pese a relevância dos data centers, tal objetivo não se encontra entre objetivos do Decreto 9.612/2018, que dispõe sobre políticas públicas de telecomunicações e delimita as modalidades de compromissos", afirmou.
O representante da Vivo também argumentou que experiências internacionais para construção desse tipo de infraestrutura têm sido estruturadas sobretudo por meio de parceria público-privadas (PPPs), e não através de obrigações vinculadas à aquisição de espectro.
A proposta do edital de 6 GHz em consulta pública prevê núcleos regionais de data center e nós de borda (edge) para capacidade computacional em áreas desatendidas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A infraestrutura seria custeada pelas vencedoras do leilão (por meio de uma entidade gestora) e operaria em um modelo de uso compartilhado.
Tamanho dos blocos
Além dos compromissos, Claro e Vivo também questionaram os blocos propostos pela Anatel na consulta. A agência sugeriu dois lotes nacionais de 200 MHz, um regional com 200 MHz (dividido em seis regiões) e outro também regional, mas com 100 MHz.
Já para as empresas, o desenho ideal teria três blocos nacionais de 200 MHz (o que garantiria um lote para cada tele incumbente), acompanhado de um regional com os 100 MHz remanescentes. "Não deveria haver escassez na oferta de blocos nacionais", afirmou Raphael Andrade, da Vivo.
"Na nossa visão, a estrutura que está apresentada traz potencial cenário de alta competitividade em alguns lotes e risco de lotes desertos em outros", complementou Monique Barros, da Claro.


