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TeleSíntese22/10/2026por Colaborador

Redata inaugura nova corrida pela infraestrutura digital no Brasil

Redata inaugura nova corrida pela infraestrutura digital no Brasil
Redata inaugura nova corrida pela infraestrutura digital no Brasil

A política de incentivo pode contribuir para fortalecer a posição do Brasil como protagonista regional de infraestrutura digital.

Roberto-S-Murakami

Por Roberto Murakami* – Nos últimos meses, o mercado de tecnologia esteve na expectativa pela aprovação do Redata, que traz incentivos fiscais para o segmento de data centers no Brasil. Em primeiro lugar, porque existe uma demanda crescente pela ampliação dessas infraestruturas, corroborada por levantamentos como o IDC Black Book Live Edition 2025, apresentado pela Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais), que projeta R$ 736,6 bilhões em investimentos em inteligência artificial entre 2026 e 2029 no país.

Nesse contexto, a política de incentivo pode contribuir para fortalecer a posição do Brasil como protagonista regional de infraestrutura digital. Em um painel de que participei, no primeiro semestre deste ano, a convite da Japan House São Paulo, sobre o papel estratégico da infraestrutura de conectividade na nova economia digital, ouvi Marcos Vinícius Peigo, cofundador e CEO da Scala Data Centers, falar sobre o Redata e ressaltar que o Brasil tem duas grandes oportunidades: garantir a soberania digital, com infraestrutura para processar suas próprias cargas de dados, e se posicionar como um hub global de processamento de dados e inteligência artificial. Em suas palavras, o país conta hoje com disponibilidade energética e capacidade de expansão, mas essa vantagem não será permanente. Isso porque o mundo já avança em soluções como pequenos reatores nucleares capazes de gerar centenas de megawatts, o que pode reduzir as diferenças competitivas.

A consolidação do Brasil como plataforma soberana e um polo global de infraestrutura para IA depende de decisões imediatas para remover barreiras à competitividade, o que incluía a aprovação integral dos incentivos fiscais federais e estaduais. A oportunidade é agora e precisa ser capturada com urgência, Peigo enfatizou.

É justamente diante desse cenário que surge uma questão que considero cada vez mais relevante: o que muda no papel das empresas que fornecem tecnologia, integração e serviços para o segmento de data centers?

A resposta passa, antes de tudo, por uma mudança de perspectiva. Os fornecedores de tecnologia deixam de ser apenas parte da cadeia de aquisição de equipamentos e passam a ter a oportunidade de atuar como parceiros estratégicos na construção dessa infraestrutura. Com a redução da carga tributária sobre determinados equipamentos de data centers, o Redata tende a favorecer novos investimentos, mas a disponibilidade de hardware, por si só, não resolve os desafios de uma expansão dessa magnitude. Projetos voltados a cargas de inteligência artificial exigem capacidade de processamento, armazenamento, conectividade, segurança e, principalmente, eficiência energética cada vez maiores. Nesse contexto, fabricantes, integradores e provedores de serviços terão de contribuir não apenas com produtos, mas com arquiteturas capazes de combinar desempenho, escalabilidade e eficiência operacional.

Esse movimento também abre espaço para uma atuação mais consultiva dos fornecedores. À medida que energia, conectividade e capacidade computacional se tornam ativos estratégicos para a economia digital, será necessário ajudar empresas e operadores de data centers a tomar decisões sobre onde investir, como dimensionar sua infraestrutura e como prepará-la para uma demanda de IA que tende a crescer rapidamente. O Redata, portanto, deve representar mais do que um incentivo fiscal: pode ser o catalisador de uma nova etapa de expansão e sofisticação do ecossistema de tecnologia no Brasil. Para os fornecedores, a oportunidade está justamente em participar dessa transformação desde o planejamento dos projetos até sua operação, contribuindo para que o capital que chegar ao setor se converta efetivamente em infraestrutura digital capaz de sustentar a próxima fase da economia baseada em dados e inteligência artificial.

*Roberto Murakami é VP das unidades de negócio de redes e Telecom da NEC na América Latina

 

Tags# data centers# Infraestrutura digital# ReData# tecnologia
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