Nokia mais que dobra vendas para IA e nuvem no terceiro trimestre

Da Redação- 22 de outubro de 2026 | 18:58
Receita total cresce 10%, para € 5,15 bilhões, mas custos de reestruturação pesam sobre o lucro operacional reportado.

A Nokia registrou receita de € 631 milhões com clientes de inteligência artificial e nuvem no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 126% sobre o mesmo período do ano passado, ou de 123% a câmbio constante. As encomendas desse público somaram € 1,5 bilhão no trimestre, com avanço de 118%. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira, 22 de outubro.
A receita total da fabricante alcançou € 5,154 bilhões, alta de 10% em valores reportados e de 9% descontados os efeitos cambiais. As vendas para prestadoras de telecomunicações, que representam o maior grupo de clientes da companhia, chegaram a € 3,640 bilhões, aumento nominal de 1% e estabilidade a câmbio constante.
O lucro líquido do período foi de € 156 milhões, crescimento de 95%. Já o lucro operacional reportado caiu 22%, para € 196 milhões, diante do aumento dos custos de reestruturação e integração. Na métrica comparável, que exclui esses e outros efeitos, o lucro operacional avançou 35%, para € 605 milhões.
Redes IP e ópticas puxam infraestrutura
A divisão de infraestrutura de redes faturou € 2,158 bilhões, expansão de 17% em valores reportados e de 15% a câmbio constante. O desempenho foi sustentado pelas áreas de redes IP e ópticas.
As vendas de redes IP alcançaram € 839 milhões, com alta de 43% a câmbio constante. Segundo a empresa, o crescimento foi liderado pelos clientes de IA e nuvem, acompanhado por aumento das vendas para prestadoras de telecomunicações e empresas de setores de missão crítica.
Em redes ópticas, a receita chegou a € 933 milhões, avanço de 18% a câmbio constante. A Nokia informou crescimento tanto entre clientes de IA e nuvem quanto entre operadoras, com maior contribuição das Américas.
Para 2027, a companhia prevê expansão conjunta de 25% a 30% nos negócios de redes ópticas e IP. O presidente e CEO, Justin Hotard, afirmou que a carteira de pedidos sustenta a expectativa de crescimento.
Na área de redes fixas, a receita caiu 22% a câmbio constante, para € 386 milhões. A fabricante atribuiu o movimento à priorização de ofertas com margens maiores. As vendas de equipamentos OLT, instalados nas redes das operadoras, permaneceram estáveis.
Infraestrutura móvel cresce 5%
A divisão de infraestrutura móvel registrou receita de € 2,902 bilhões, alta de 5%. Parte desse crescimento decorreu da antecipação de receitas inicialmente previstas para o quarto trimestre.
O lucro operacional do segmento passou de € 355 milhões para € 420 milhões, enquanto a margem aumentou de 12,9% para 14,5%. Segundo a Nokia, o resultado refletiu a composição dos produtos vendidos, a disciplina comercial e a execução do programa de redução de custos.
A fabricante também informou ter realizado, com T-Mobile e NVIDIA, o que classificou como a primeira chamada de AI-RAN do mundo em uma rede de operadora em funcionamento. A iniciativa integra o desenvolvimento de sua plataforma de redes de acesso por rádio com inteligência artificial.
Reestruturação e integração da Infinera
Os encargos de reestruturação e custos associados atingiram € 357 milhões no trimestre, ante € 44 milhões um ano antes. A margem operacional reportada recuou de 5,4% para 3,8%, enquanto a comparável subiu de 9,5% para 11,7%.
A Nokia prevê concluir a integração da Infinera até o fim de 2026, um ano antes do planejamento original, com € 200 milhões em sinergias líquidas.
A projeção de lucro operacional comparável para 2026 foi mantida entre € 2,1 bilhões e € 2,6 bilhões. A companhia, porém, reduziu a expectativa de conversão desse resultado em fluxo de caixa livre para uma faixa de 35% a 55%, citando investimentos em capital de giro para assegurar fornecimento e apoiar o crescimento em 2027, além da aceleração da reestruturação.
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