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TELETIME News06/10/2026por Danilo Paulo

NIC.br testa Internet a partir de espectro ocioso de TV e bate 115 Mbps

NIC.br testa Internet a partir de espectro ocioso de TV e bate 115 Mbps
Espectro NIC.br testa Internet a partir de espectro ocioso de TV e bate 115 Mbps 06/10/26, 17:14   Atualizado em 06/10/26, 17:14

O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), testou uma solução de banda larga que utiliza canais ociosos do espectro da TV digital.

A tecnologia, desenvolvida no âmbito do projeto TV White Space (TVWS), alcançou taxa máxima de 115 Mbps em download durante testes realizados na cidade de Quixadá (CE).

Nos testes de campo, a rede também manteve conexões de radiofrequência estáveis a uma distância de 11,6 km, segundo o NIC.br. Os enlaces partiram de uma estação rádio base instalada no campus da UFC em Quixadá e chegaram a pontos como uma escola, uma pousada e uma localidade rural.

De acordo com a entidade, os resultados indicaram a viabilidade técnica da solução para cobrir áreas extensas com menor densidade de infraestrutura.

Espectro ocioso

A tecnologia utiliza os chamados "espaços em branco" (white spaces) da televisão. São aquelas frequências que estão disponíveis em determinada região porque não são usadas por emissoras de radiodifusão naquele local.

O objetivo é aproveitar esse espectro para criar redes terrestres de longo alcance e levar conectividade a áreas rurais e remotas onde a implantação de 4G e 5G pode enfrentar custos elevados e baixa viabilidade econômica.

Segundo o NIC.br, a ideia também pode complementar conexões por satélite: o acesso satelital poderia chegar a uma região remota, enquanto a rede TVWS distribuiria a conexão localmente, com suporte a dispositivos de Internet das coisas (IoT).

"É muito difícil que uma única tecnologia consiga atender a todas as necessidades. A diversidade de casos de uso encontrada no Brasil também está presente em várias partes do mundo", afirmou Luciano Leonel Mendes, coordenador de pesquisa do Centro de Referência em Radiocomunicações do Inatel.

Expectativas e fututo

Os pesquisadores já iniciaram a quinta fase do projeto. Ela é voltada à aplicação da tecnologia em ambiente real e à preparação da plataforma para uso comercial.

Entre as próximas etapas estão a adaptação dos softwares para um hardware próprio e de menor custo, a otimização do processamento e do consumo de energia, testes com outras tecnologias TVWS disponíveis no mercado e melhorias na ferramenta Fiquespectro, que identifica canais disponíveis.

A expectativa é tornar a solução apta a uma adoção mais ampla e abrir espaço para seu uso por provedores regionais e outros setores.

"O projeto demonstra que a conectividade em áreas rurais não precisa ficar presa a modelos tradicionais de redes e de uso do espectro", afirmou Gilberto Zorello, coordenador do projeto no NIC.br.

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