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TeleSíntese14/10/2026por Adriano Camargo

Júri reconhece quebra de contrato da Arm com Qualcomm

Júri reconhece quebra de contrato da Arm com Qualcomm
Júri reconhece quebra de contrato da Arm com Qualcomm

Decisão nos EUA aponta violação de acordo de licenciamento, mas fixa indenização irrisória; Arm venceu outras quatro alegações.

Disney FCC processo Arm
Foto: Freepik

Um júri federal de Delaware, nos Estados Unidos, concluiu nesta quarta-feira, 14 de outubro, que a Arm descumpriu seu contrato de licença de arquitetura de processadores com a Qualcomm e interferiu intencionalmente nos negócios da fabricante norte-americana. Apesar do reconhecimento das violações, a indenização foi fixada em apenas US$ 2 (o equivalente a R$ 10), enquanto outras quatro alegações foram decididas a favor da Arm.

O resultado levou as duas companhias a reivindicarem vitória no julgamento. A Qualcomm destacou o reconhecimento de que a fornecedora britânica deixou de cumprir obrigações contratuais e interferiu em suas atividades comerciais. Já a Arm ressaltou que prevaleceu na maioria das questões analisadas e que os valores concedidos pelo júri foram nominais, de US$ 1 para cada uma das duas alegações acolhidas.

A disputa envolve contratos que permitem à Qualcomm desenvolver processadores baseados na arquitetura Arm, utilizada em smartphones, computadores e outros equipamentos eletrônicos.

Qualcomm mantém disputa sobre licenciamento

O processo julgado nesta semana foi iniciado pela Qualcomm em abril de 2024 e envolve obrigações previstas no contrato de licença de arquitetura, conhecido como Architectural License Agreement (ALA).

Em comunicado, a fabricante norte-americana afirmou que o veredicto reconheceu o descumprimento de compromissos assumidos pela Arm e a interferência em seus negócios. A empresa também reiterou que continuará desenvolvendo processadores com seus núcleos Oryon, empregados em plataformas Snapdragon.

A Arm contestou a interpretação da rival. Segundo a companhia britânica, o júri rejeitou quatro das seis alegações apresentadas e concedeu apenas indenizações nominais nas demais.

A empresa também afirmou que a Qualcomm buscava utilizar o processo para se eximir do pagamento de bilhões de dólares previstos nos acordos de licenciamento. Essa alegação integra a posição da Arm sobre a disputa e não representa uma conclusão do júri.

Conflito começou com aquisição da Nuvia

A controvérsia entre as empresas remonta à aquisição da Nuvia pela Qualcomm, em 2021, por aproximadamente US$ 1,4 bilhão. A startup desenvolvia projetos de processadores baseados na arquitetura Arm e possuía contratos próprios de licenciamento com a fornecedora britânica.

Em 2022, a Arm entrou com uma ação judicial alegando que as licenças concedidas à Nuvia não poderiam ser transferidas automaticamente após sua aquisição. A Qualcomm sustentou que seu próprio contrato autorizava o desenvolvimento dos processadores resultantes da operação.

O conflito ganhou outra dimensão em outubro de 2024, quando a Arm ameaçou revogar a licença de arquitetura da Qualcomm, em meio às divergências sobre o uso da tecnologia nos processadores Snapdragon.

Em dezembro daquele ano, um júri decidiu que a Qualcomm não havia violado seu contrato de licença. Em setembro de 2025, a Justiça norte-americana rejeitou a reivindicação restante da Arm contra a Nuvia, encerrando o processo em primeira instância com decisão favorável à Qualcomm. A Arm recorreu.

Relação comercial permanece

A disputa judicial envolve duas companhias que mantêm uma relação comercial no mercado de semicondutores. A Qualcomm utiliza a arquitetura Arm no desenvolvimento de processadores, enquanto a empresa britânica obtém receitas com licenças e royalties associados ao uso de sua tecnologia.

Segundo informações financeiras divulgadas pela Arm, a Qualcomm respondeu por aproximadamente 9% de sua receita no exercício encerrado em março de 2026.

As consequências jurídicas do veredicto e os eventuais desdobramentos dos demais processos permanecem sujeitos às decisões da Justiça norte-americana.

Tags# arm# arquitetura# licença# processadores# Qualcomm
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