Duas operadoras concentram mais de 80% do mercado móvel em 4.889 cidades

As duas maiores operadoras de telefonia móvel de cada município concentram mais de 80% dos acessos em 4.889 cidades brasileiras. O dado faz parte do Relatório de Monitoramento da Competição do terceiro trimestre de 2026, divulgado nesta terça-feira, 20, pela Anatel. Em 3.556 municípios, a participação conjunta das duas principais prestadoras supera 90%, enquanto em outros 1.333 fica entre 80% e 90%.
De acordo com a Anatel, a concentração é maior nos municípios com até 30 mil habitantes, onde a mediana do Índice Herfindahl-Hirschman (HHI), utilizado para medir a concentração de mercado, fica próxima de 0,60. Nas cidades com mais de 500 mil habitantes, o indicador varia entre 0,30 e 0,35, apontando um ambiente mais competitivo. Nas localidades menores, segundo a agência, "um terceiro player desempenha papel marginal ou sequer possui cobertura relevante nessas localidades".
Apesar das diferenças regionais, a Anatel considera cumprida sua meta nacional de desconcentração da telefonia móvel, que estabelece um HHI inferior a 0,3594 até 2027. Quanto menor o índice, menor é a concentração do mercado. O contraste entre os indicadores nacionais e municipais já havia sido identificado no relatório referente ao primeiro trimestre de 2026.
MVNOs
A expansão das operadoras móveis virtuais (MVNOs) ainda não significou, necessariamente, maior concorrência no mercado de telefonia celular tradicional. De acordo com a agência, as 11 MVNOs autorizadas consideradas no levantamento alcançaram 13,1 milhões de acessos no terceiro trimestre de 2026. Esse total inclui conexões de comunicação máquina a máquina (M2M) e Internet das coisas (IoT), além de linhas de telefonia móvel convencional.
O segmento de MVNOs autorizadas também apresentou concentração entre suas próprias prestadoras. A Datora e a Surf detinham, respectivamente, 37,6% e 29,3% dos acessos, somando 66,9% da base. Segundo a agência, o crescimento das operadoras virtuais foi "impulsionado especialmente pela demanda corporativa e por novos ecossistemas digitais".
Banda larga fixa
Na banda larga fixa, o relatório da Anatel também identificou concentração expressiva em milhares de municípios. Segundo o levantamento, os quatro maiores provedores respondem por mais de 90% dos acessos em 4.470 cidades brasileiras. Em 3.324 municípios, as três principais empresas já concentram mais de 90% do mercado.
Em âmbito nacional, contudo, a banda larga fixa apresenta um grau de concentração menor que o da telefonia móvel, com HHI de 0,0650, abaixo da meta de 0,1500 estabelecida pela Anatel até 2027. O cenário é diferente nas cidades menores: nos municípios com até 30 mil habitantes, a mediana do índice chega a 0,44, enquanto nas localidades com mais de 100 mil moradores varia entre 0,20 e 0,25.
Segundo a agência, a entrada de novos concorrentes na banda larga fixa enfrenta menos barreiras do que na telefonia móvel. Isso ocorre devido à ausência de restrições relacionadas ao uso do espectro e aos menores custos de implantação de redes. Ainda assim, nas cidades pequenas, existem "restrições de escala e viabilidade econômica que limitam o atendimento local a um ou dois provedores regionais de fibra óptica", segundo o relatório.


