D2D pode chegar ao Brasil em 2027

Adriano Camargo- 7 de outubro de 2026 | 18:18
AST instala quatro gateways para cobertura nacional, enquanto Anatel testa uso de espectro móvel por redes satelitais.

A AST SpaceMobile trabalha com 2027 como horizonte para ampliar a operação de Direct-to-Device (D2D) no Brasil. A empresa está instalando quatro gateways no país, infraestrutura que, segundo Luiz Abud, executivo da companhia, permitirá cobertura nacional. Em paralelo, a constelação será reforçada com novos lançamentos de satélites.
O tema foi debatido nesta quarta-feira, dia 7, na Futurecom 2026, em São Paulo. O painel reuniu Abud e Vinicius Caram, superintendente da Anatel, com mediação de Marcio Kanamaru, do BCG.
Enquanto a AST prepara a infraestrutura, a Anatel mantém testes regulatórios para definir como o D2D poderá operar no país. A tecnologia permite conectar diretamente smartphones a satélites em áreas sem cobertura de redes móveis terrestres.
Caram indicou que a agência trabalha com uma arquitetura em que o satélite amplia a cobertura das operadoras, sem substituir as redes existentes.
“Eu acho que o modelo,de parceria é o que vai prevalecer”, afirmou.
Segundo o superintendente, a capacidade disponível nas redes terrestres continuará necessária para atender à demanda por velocidades mais altas. O satélite tende a ocupar principalmente espaços sem cobertura, oferecendo serviços como mensagens e voz.
Anatel testa espectro para D2D
A agência vem avaliando o uso de frequências móveis, incluindo faixas de 700 MHz, 800 MHz e 900 MHz, em experimentos envolvendo redes satelitais. O processo depende de autorização da Anatel e da participação dos detentores das frequências utilizadas nos testes.
O sandbox regulatório foi prorrogado para permitir que a agência reúna dados técnicos antes de definir as regras permanentes. Segundo Caram, já existe pedido formal de empresa interessada em avançar nos experimentos.
O superintendente também sinalizou que iniciativas podem aparecer antes de 2027. Na avaliação dele, a regulação não deve impedir a entrada da nova tecnologia, desde que sejam cumpridos os requisitos definidos pela agência.
“O importante é, o consumidor brasileiro ter conectividade 100% no território nacional, ainda que de forma complementar, suplementar”, disse Caram.
AST aposta nas operadoras
A AST SpaceMobile pretende atuar no Brasil em parceria com as prestadoras móveis. O desenho difere de estratégias em que a companhia de satélite passa a manter relação comercial direta com o consumidor.
Durante o painel, Abud afirmou que a empresa está aberta a acordos com operadoras brasileiras e que esse será o formato apoiado pela companhia.
Em mercados onde o serviço já começa a ser estruturado, uma possibilidade é acrescentar a conectividade satelital como opção adicional aos planos móveis.
“A gente tem visto muitas operadoras tentando fazer um serviço premium extra para você poder adicionar o satélite ao plano básico de telefonia terrestre”, afirmou Abud.
O executivo citou ainda modelos em que o recurso é incorporado a planos premium sem cobrança adicional específica. A configuração comercial dependerá dos acordos entre operadoras móveis e empresas de satélite.
Soberania de dados entra no desenho da rede
A localização do tráfego também apareceu no debate sobre a entrada do D2D no Brasil. Abud afirmou que a arquitetura da AST permite manter os dados dentro do território nacional.
“No nosso caso eu posso assegurar que 100% do tráfego fica no país, assim como uma rede terrestre”, disse.
Caram afirmou que, do ponto de vista regulatório, a soberania envolve preservar a capacidade do Estado de estabelecer condições para uso do espectro e exploração dos serviços, independentemente de o fornecedor ser brasileiro ou estrangeiro.
Segundo ele, cabe à Anatel definir requisitos técnicos, tratar interferências e estabelecer as condições de acesso às frequências. O sandbox deverá fornecer elementos para as próximas decisões da agência sobre o D2D.
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