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TeleSíntese08/10/2026por Adriano Camargo

D2D pode chegar ao Brasil em 2027

D2D pode chegar ao Brasil em 2027
D2D pode chegar ao Brasil em 2027

AST instala quatro gateways para cobertura nacional, enquanto Anatel testa uso de espectro móvel por redes satelitais.

(crédito: Divulgação)

A AST SpaceMobile trabalha com 2027 como horizonte para ampliar a operação de Direct-to-Device (D2D) no Brasil. A empresa está instalando quatro gateways no país, infraestrutura que, segundo Luiz Abud, executivo da companhia, permitirá cobertura nacional. Em paralelo, a constelação será reforçada com novos lançamentos de satélites.

O tema foi debatido nesta quarta-feira, dia 7, na Futurecom 2026, em São Paulo. O painel reuniu Abud e Vinicius Caram, superintendente da Anatel, com mediação de Marcio Kanamaru, do BCG.

Enquanto a AST prepara a infraestrutura, a Anatel mantém testes regulatórios para definir como o D2D poderá operar no país. A tecnologia permite conectar diretamente smartphones a satélites em áreas sem cobertura de redes móveis terrestres.

Caram indicou que a agência trabalha com uma arquitetura em que o satélite amplia a cobertura das operadoras, sem substituir as redes existentes.

“Eu acho que o modelo,de parceria é o que vai prevalecer”, afirmou.

Segundo o superintendente, a capacidade disponível nas redes terrestres continuará necessária para atender à demanda por velocidades mais altas. O satélite tende a ocupar principalmente espaços sem cobertura, oferecendo serviços como mensagens e voz.

Anatel testa espectro para D2D

A agência vem avaliando o uso de frequências móveis, incluindo faixas de 700 MHz, 800 MHz e 900 MHz, em experimentos envolvendo redes satelitais. O processo depende de autorização da Anatel e da participação dos detentores das frequências utilizadas nos testes.

O sandbox regulatório foi prorrogado para permitir que a agência reúna dados técnicos antes de definir as regras permanentes. Segundo Caram, já existe pedido formal de empresa interessada em avançar nos experimentos.

O superintendente também sinalizou que iniciativas podem aparecer antes de 2027. Na avaliação dele, a regulação não deve impedir a entrada da nova tecnologia, desde que sejam cumpridos os requisitos definidos pela agência.

“O importante é, o consumidor brasileiro ter conectividade 100% no território nacional, ainda que de forma complementar, suplementar”, disse Caram.

AST aposta nas operadoras

A AST SpaceMobile pretende atuar no Brasil em parceria com as prestadoras móveis. O desenho difere de estratégias em que a companhia de satélite passa a manter relação comercial direta com o consumidor.

Durante o painel, Abud afirmou que a empresa está aberta a acordos com operadoras brasileiras e que esse será o formato apoiado pela companhia.

Em mercados onde o serviço já começa a ser estruturado, uma possibilidade é acrescentar a conectividade satelital como opção adicional aos planos móveis.

“A gente tem visto muitas operadoras tentando fazer um serviço premium extra para você poder adicionar o satélite ao plano básico de telefonia terrestre”, afirmou Abud.

O executivo citou ainda modelos em que o recurso é incorporado a planos premium sem cobrança adicional específica. A configuração comercial dependerá dos acordos entre operadoras móveis e empresas de satélite.

Soberania de dados entra no desenho da rede

A localização do tráfego também apareceu no debate sobre a entrada do D2D no Brasil. Abud afirmou que a arquitetura da AST permite manter os dados dentro do território nacional.

“No nosso caso eu posso assegurar que 100% do tráfego fica no país, assim como uma rede terrestre”, disse.

Caram afirmou que, do ponto de vista regulatório, a soberania envolve preservar a capacidade do Estado de estabelecer condições para uso do espectro e exploração dos serviços, independentemente de o fornecedor ser brasileiro ou estrangeiro.

Segundo ele, cabe à Anatel definir requisitos técnicos, tratar interferências e estabelecer as condições de acesso às frequências. O sandbox deverá fornecer elementos para as próximas decisões da agência sobre o D2D.

Tags# Anatel# D2D# redes satelitais# satélite
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