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TeleSíntese08/10/2026por Paula Coutinho

Conexis propõe licenciamento federal unificado para cabos submarinos

Conexis propõe licenciamento federal unificado para cabos submarinos
Conexis propõe licenciamento federal unificado para cabos submarinos

Entidade quer simplificar autorizações para implantação e manutenção da infraestrutura; procedimento atual envolve diferentes níveis de governo

A Conexis defende a criação de um processo federalizado e unificado para o licenciamento de cabos submarinos no Brasil. A proposta busca reduzir a quantidade de procedimentos envolvidos na implantação e manutenção da infraestrutura, considerada pela entidade parte da expansão da conectividade necessária aos novos projetos de data centers.

A posição foi apresentada por Diogo Della Torres, coordenador de Infraestrutura da Conexis, nesta quarta-feira, 7, durante painel do Data Center World (DCW), realizado na Futurecom 2026, em São Paulo.

Della Torres afirmou que a implantação de cabos submarinos envolve procedimentos de diferentes esferas administrativas. Ele citou licenciamento ambiental, licenças municipais, estaduais e federais, além de exigências relacionadas à entrada de equipamentos e à atuação de trabalhadores em águas sob jurisdição brasileira.

Segundo o executivo, a Conexis apresentou contribuição em consulta do Ministério das Comunicações defendendo a unificação desse processo.

“A contribuição é nesse sentido de criar um licenciamento federalizado e unificar, justamente para que a gente consiga ter maior agilidade em algo que por natureza é muito complexo”, afirmou.

Reparo também enfrenta burocracia

A entidade também chama atenção para os procedimentos aplicados à manutenção de cabos já instalados.

Della Torres afirmou que uma intervenção destinada a reparar uma infraestrutura existente pode passar novamente por processos administrativos mesmo quando não há alteração de rota.

“Tem um ponto ainda mais sensível, que é a manutenção”, afirmou.

Segundo ele, nesse tipo de operação “você não está modificando nada, não está mudando o lugar do cabo”, mas ainda assim precisa cumprir procedimentos relacionados à intervenção.

O tema ganhou espaço no painel em razão da relação entre conectividade e expansão da infraestrutura de processamento de dados.

Data centers dependem de múltiplas rotas

Della Torres lembrou que o Brasil recebe diferentes sistemas internacionais de cabos submarinos, com concentração relevante em Fortaleza e pontos de chegada também em outras regiões do litoral.

Segundo ele, essas infraestruturas aumentam a resiliência porque permitem que o tráfego seja redirecionado em caso de falha em determinada rota.

Rodrigo Radaieski, CTO da Ascenty, reforçou durante o mesmo painel que a conectividade precisa ser planejada antes da entrada em operação de um data center.

O executivo afirmou que uma instalação não deve depender de uma única rede e que grandes projetos precisam prever duas ou três rotas diferentes para obter redundância. Segundo ele, as exigências de licenciamento podem fazer com que a implantação da rede comece um ou dois anos antes da construção do próprio data center.

Para a Conexis, a infraestrutura de telecomunicações precisa acompanhar a expansão dos investimentos em processamento e armazenamento de dados. A entidade representa grandes operadoras de telecomunicações e tem levado as questões relacionadas a cabos submarinos às discussões de políticas públicas para o setor.

Tags# cabos submarinos# conexis
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