Conexis propõe licenciamento federal unificado para cabos submarinos

Paula Coutinho- 7 de outubro de 2026 | 20:15
Entidade quer simplificar autorizações para implantação e manutenção da infraestrutura; procedimento atual envolve diferentes níveis de governo
A Conexis defende a criação de um processo federalizado e unificado para o licenciamento de cabos submarinos no Brasil. A proposta busca reduzir a quantidade de procedimentos envolvidos na implantação e manutenção da infraestrutura, considerada pela entidade parte da expansão da conectividade necessária aos novos projetos de data centers.

A posição foi apresentada por Diogo Della Torres, coordenador de Infraestrutura da Conexis, nesta quarta-feira, 7, durante painel do Data Center World (DCW), realizado na Futurecom 2026, em São Paulo.
Della Torres afirmou que a implantação de cabos submarinos envolve procedimentos de diferentes esferas administrativas. Ele citou licenciamento ambiental, licenças municipais, estaduais e federais, além de exigências relacionadas à entrada de equipamentos e à atuação de trabalhadores em águas sob jurisdição brasileira.
Segundo o executivo, a Conexis apresentou contribuição em consulta do Ministério das Comunicações defendendo a unificação desse processo.
“A contribuição é nesse sentido de criar um licenciamento federalizado e unificar, justamente para que a gente consiga ter maior agilidade em algo que por natureza é muito complexo”, afirmou.
Reparo também enfrenta burocracia
A entidade também chama atenção para os procedimentos aplicados à manutenção de cabos já instalados.
Della Torres afirmou que uma intervenção destinada a reparar uma infraestrutura existente pode passar novamente por processos administrativos mesmo quando não há alteração de rota.
“Tem um ponto ainda mais sensível, que é a manutenção”, afirmou.
Segundo ele, nesse tipo de operação “você não está modificando nada, não está mudando o lugar do cabo”, mas ainda assim precisa cumprir procedimentos relacionados à intervenção.
O tema ganhou espaço no painel em razão da relação entre conectividade e expansão da infraestrutura de processamento de dados.
Data centers dependem de múltiplas rotas
Della Torres lembrou que o Brasil recebe diferentes sistemas internacionais de cabos submarinos, com concentração relevante em Fortaleza e pontos de chegada também em outras regiões do litoral.
Segundo ele, essas infraestruturas aumentam a resiliência porque permitem que o tráfego seja redirecionado em caso de falha em determinada rota.
Rodrigo Radaieski, CTO da Ascenty, reforçou durante o mesmo painel que a conectividade precisa ser planejada antes da entrada em operação de um data center.
O executivo afirmou que uma instalação não deve depender de uma única rede e que grandes projetos precisam prever duas ou três rotas diferentes para obter redundância. Segundo ele, as exigências de licenciamento podem fazer com que a implantação da rede comece um ou dois anos antes da construção do próprio data center.
Para a Conexis, a infraestrutura de telecomunicações precisa acompanhar a expansão dos investimentos em processamento e armazenamento de dados. A entidade representa grandes operadoras de telecomunicações e tem levado as questões relacionadas a cabos submarinos às discussões de políticas públicas para o setor.
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