Brasil chega a 60% dos usuários de internet com IPv6 habilitado

Da Redação- 29 de outubro de 2026 | 12:08
Indicador do APNIC divulgado pelo NIC.br considera média de 30 dias; protocolo amplia a disponibilidade de endereços na rede

O Brasil atingiu, em 28 de outubro, a marca de 60% dos usuários de internet com IPv6 habilitado, segundo dados do APNIC (Asia Pacific Network Information Centre) divulgados pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). O percentual corresponde à métrica “IPv6 Capable”, que acompanha a capacidade de utilização da versão 6 do Protocolo Internet.
Segundo Antonio Moreiras, gerente de projetos e desenvolvimento do NIC.br, o indicador considera a média das medições dos 30 dias anteriores, reduzindo o efeito de oscilações pontuais. Nos registros diários, o patamar já vinha sendo superado desde o início do mês.
“Ao analisar os dados diários, observamos que, a partir de 2 de outubro de 2026, as medições passaram a se manter consistentemente acima de 60%”, afirma Moreiras.
O IPv6 amplia a disponibilidade de endereços IP para conectar dispositivos e serviços. Sua implantação permite reduzir a necessidade de compartilhamento de endereços, uma das soluções utilizadas para prolongar o uso do IPv4 diante da escassez de endereços dessa versão.
Transição mantém os dois protocolos em operação
A adoção do IPv6 ocorre gradualmente, com funcionamento paralelo ao IPv4. Como não há compatibilidade direta entre as duas versões, a transição exige mecanismos específicos para preservar a comunicação com redes que ainda dependem do protocolo anterior.
O desenvolvimento do IPv6 ganhou forma a partir de 1994, em resposta à demanda por endereços decorrente da expansão da internet. Ao mesmo tempo, foram adotadas alternativas como o NAT, mecanismo de tradução de endereços IP que permite compartilhar endereços públicos entre dispositivos.
Para o NIC.br, os investimentos dos provedores na implantação do protocolo integram os fatores que contribuíram para o resultado brasileiro. A entidade também aponta ações de capacitação, recomendações técnicas e articulação entre empresas, governo e comunidade acadêmica.
“Há 20 anos trabalhamos para criar as condições técnicas, institucionais e humanas que permitiram ao Brasil chegar até aqui”, afirma Milton Kashiwakura, diretor de Projetos Especiais e de Desenvolvimento do NIC.br.
Capacitação e implantação nas redes
O Registro.br começou a distribuir endereços IPv6 no Brasil em 2006. Dois anos depois, foi criado o Projeto IPv6.br, que, segundo o NIC.br, já capacitou cerca de 11 mil especialistas em aulas com instrutores e turmas fechadas. A iniciativa oferece cursos básicos e avançados gratuitos.
Entre as medidas voltadas à implantação, o NIC.br criou, em 2009, uma VLAN IPv6 no IX.br São Paulo e ofereceu trânsito IPv6 gratuito para que provedores experimentassem a tecnologia. Também publicou o livro Laboratório IPv6, com exercícios práticos, e o Guia de Compras IPv6, destinado à aquisição de equipamentos compatíveis.
O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por sua vez, estabeleceu em 2012 recomendações para implantação do protocolo por provedores, fabricantes, empresas, governo e instituições de ensino e pesquisa. Em 2014, reforçou a necessidade de suporte aos dois protocolos nos equipamentos comercializados no país.
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